quarta-feira, 7 de novembro de 2018

50 anos de realismo no CCBB


Pioneiros John Salt e Ralph Goings estão entre os 30 artistas de nova mostra no CCBB -  São Paulo

Nikutai', de Giovani Caramello, em exposição no CCBB

‘Dá vontade de desligar o ar-condicionado’, diz a produtora Fabiana Farias ao fitar a mulher nua que esconde os seios com os braços em uma sala do Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo. ‘Christine I’ exibe também a marca sutil de uma calcinha apertada contra seu corpo de bronze policromado.
A figura, de cabelos acrílicos e aparência de 50 anos, foi esculpida por John De Andrea. Desnuda com certo pudor, emana um aspecto tão real que parece mesmo arrepiada de frio na exposição inaugurada nesta quarta-feira (7).
O escultor americano impressiona pela verossimilhança de seus trabalhos há mais de 40 anos. Na Documenta de Kassel de 1972, mostra que ficou conhecida pela inclusão de obras que representavam objetos e cenas da vida cotidiana com grande realismo, De Andrea e outros artistas ajudaram a consagrar o que ficou conhecido na arte como hiper-realismo. Ali, receberam severas críticas de gente que acreditava que eles eram meros copistas.
Engraçado pensar que agora, na exposição ‘50 Anos de Realismo’, os pioneiros dessa corrente artística talvez apresentem o que há de menos real entre as cerca de 90 obras.
‘Até que ponto as pessoas vivem hoje na realidade crua?’, questiona a curadora Tereza de Arruda. ‘Quis trazer a discussão para o nosso tempo e, por isso, decidi que a exposição começaria no fotorrealismo e chegaria à realidade virtual’.

'Blue Diner with Figures', tela de Ralph Goings

O percurso, de fato, começa a partir de pinturas das décadas de 1970 e 80 que mostram com precisão fotográfica o estilo de vida americano. Nas obras do britânico John Salt e do americano Ralph Goings estão estacionamentos, trailers e caminhonetes; mesas de lanchonetes com jarros, saleiros e ketchups.
Na tela ‘Two Men at Diner’ há lugar até para o típico aviso de bar em papel surrado com caligrafia arredondada, avisando que o local estará fechado nos dias 29 e 30 de julho, mas reabrirá no dia 31.
'Close Up and Personal', tela de Simon Hennessey


A mostra segue então seu passeio por gêneros da pintura —recorre a naturezas-mortas, paisagens urbanas e rurais até chegar na série de retratos, alguns deles de técnica tão precisa que passariam facilmente por fotografias ampliadas, caso dos trabalhos dos britânicos Simon Hennessey e Paul Cadden.


'Mother and Child', escultura de John De Andrea


Aos poucos, no entanto, o realismo que o CCBB expõe começa a apresentar uma nova atmosfera, inserindo na sua seleção pinturas com doses de expressionismo do argentino Ricarco Cinalli, e esculturas bem-humoradas do dinamarquês Peter Land, a exemplo do braço em riste que sobrou de um corpo soterrado por tijolos e um corpo de tecido com dez metros de comprimento que cai levemente sobre o hall do edifício.
O vídeo do japonês Akihito Taniguchi, no qual o avatar do próprio artista dança energicamente por ambientes que vão do campo a praia, mostra que, na realidade que agora nos é apresentada, dois corpos ocupam, sim, a mesma posição no espaço. Vemos até oito Taniguchis cruzando o mesmo corpo e ampliando o espectro do movimento.
‘É importante observar como a história das representações hiper-reais evoluiu. À medida que as mídias se desenvolveram, os artistas afrouxaram o controle do fotorrealismo em favor de realidades distorcidas, que ainda parecem reais’, diz o artista alemão Felix Kraus, que apresenta na exposição as pinturas ‘Cutting Sunday’ e ‘The Beginning of the End of The World’.
As duas telas de acrílica, ao receberem uma projeção 3D, tornam-se paisagens quase fantasmagóricas. Para um espectador pouco atento, porém, parecem simples videoprojeções.
Essas distorções entre ficção e realidade são evidenciadas na exposição de forma crescente e não só nas peças de Kraus, que as assina como ‘The Swan Collective’. Não à toa, a distância entre o real e o ficcional fica cada vez menor nas obras do subsolo do CCBB, espaço que marca o fim do percurso proposto pela curadoria.
Assim, o visitante passa por um trajeto que começa no fotorrealismo e termina na realidade virtual. Neste último setor, as pinturas realistas do alemão Sven Drühl foram extraídas a partir de frames de videogames. Já os vídeos do também alemão Andrea Nicolas Fischer apresentam paisagens fictícias, bastante naturalistas, criadas pelo próprio artista.
A imersão termina em uma sala com uma parede pintada de azul que ampara uma banheira repleta de bolinhas de plástico transparentes.
É o convite para que o espectador mergulhe na estrutura e, munido de seus óculos 3D, transporte-se para a animação da artista alemã Bianca Kennedy. No mundo virtual, a banheira passa a ser habitada por outros seres, e o espaço agora é compartilhado com um menino de cabeça solta, desprovido do corpo, uma mulher que se masturba tranquilamente e um homem que treina apneia com um relógio preso à mão.
‘Mesmo que meus desenhos sejam bastante reduzidos e estejam longe de serem hiper-reais, na realidade virtual o conteúdo pode ser percebido como real’, diz Kennedy.
‘O fone de ouvido toma conta dos sentidos e o cérebro é levado a pensar que o que você vê e ouve é um novo tipo de realidade’, afirma.
Em seis minutos, a animação da artista, criada a partir de 180 desenhos, apresenta humanos de traços falhos que parecem flutuar em um ambiente branco e azul-esverdeado.
Saímos da experiência mareados. Virtual ou não, a realidade pode ser vertiginosa.

50 ANOS DE REALISMO
Quando De qua. a seg., das 9h às 21h. Até 14/1/2019
Onde Centro Cultural Banco do Brasil, r. Álvares Penteado, 112, centro
Preço Grátis






Fonte: Nina Rahe    |    FSP

(JA, Nov18),


terça-feira, 6 de novembro de 2018

São Paulo mostra tecnologia vestível para dar utilidade a geringonças hi-tech


Exposição de designer japonês e festival de 'wearable' têm de roupa fotossensível a joias 3D
Desde que o termo ‘wearable technology’ [tecnologia vestível] entrou no dicionário da moda, tenta-se unir ‘nerds’ e ‘fashionistas’ para que, juntos, consigam criar o traje do futuro. Dos frutos dessa união, porém, só incontáveis versões de relógios inteligentes caíram no gosto, e nos pulsos, da massa. O desafio é tornar belas, ou ao menos ‘vestíveis’, as geringonças saídas dos centros de pesquisa.
A partir desta terça (6), São Paulo apontará caminhos palpáveis para esse casamento com uma exposição do estilista japonês Kunihiko Morinaga na Japan House, a primeira de moda da instituição paulistana, e o festival de tecnologia vestível WeAr, que começa em 12 de novembro, com atividades na multimarca Cartel 011, na zona oeste.


Um dos raríssimos estilistas especializados na área, Morinaga trouxe à cidade criações que emitem luz ao serem tocadas, roupas fotossensíveis que ganham cor e formas quando iluminadas, e vestidos da última coleção de sua grife, a Anrealage, cujos paetês reagentes à luz foram destaques na última semana de moda de Paris, no mês passado.
Diferentemente da ideia de ‘gadget’, um acessório de vestuário conectado ao celular ou com alguma utilidade prática para usá-lo, suas roupas utilizam a tecnologia têxtil com propósito estético. E ele leva as aparências ao pé da letra.

Como se reproduzisse a importância da cultura digital na confecção de roupas, sua primeira instalação é um conjunto de roupas brancas que esconde cores e estampas visíveis apenas sob a luz do flash. A olho nu a roupa é minimalista, conserva a costura japonesa, mas na foto, berra em cores e formas de origami.
 ‘Meu propósito é questionar o que é real aos nossos olhos. Tento transformar peças banais do cotidiano em algo irreal, mostrando a matéria tátil e um outro lado que parece não existir’, diz Morinaga, horas antes da inauguração de ‘A Light Un Light’ (um trocadilho para algo como ‘Uma Luz, sem Luz).


O jogo de sombras que o título da mostra sugere está explícito na série de vestidos rendados cortados a laser que, colados a bases pretas, parecem saltar do corpo. Morinaga cria o efeito de sombra estática, um truque óptico que só simula a noção de tridimensionalidade nas peças.
Elas reproduzem o processo criativo do designer, premiado por transferir para a produção de moda um olhar de arte, que é de iniciar suas coleções a partir de palavras.
‘Aqui [no bloco de rendas] meu ponto de partida foi a sombra e como ela pode mudar a forma da pessoa quando posicionada de uma forma específica’, explica. ‘Tento provar que esse pensamento também é moda’.


A mesma ideia se aplica a uma sala em que três vestidos estão no meio de um círculo no qual uma luz corre ininterruptamente em volta delas. Dependendo do lugar onde o espectador está, as formas e a cartela de cores assumem tonalidades diferentes.
Esse esforço de colocar o têxtil em favor da criação escancara a face escondida da indústria fashion tradicional, bem menos inovadora do que ela prova ser a cada temporada. ‘Quando comecei a desfilar em Paris muita gente criticou, disse que meu trabalho não deveria estar ali [na passarela]’, conta Morinaga.
‘Mas, se pensarmos no significado da moda, de representar uma época, é a indústria que está atrasada em não tentar inserir as possibilidades da tecnologia real na criação de roupas’.
Foi pelo mesmo caminho de tornar acessível a tecnologia que a consultora Alexandra Farah concebeu a quarta edição do WeAr, único festival de ‘wearable gadgets’ do país.
Se nas primeiras edições ela se empenhou em trazer a São Paulo o tênis autoamarrável do filme ‘De Volta Para o Futuro 2’, 1989, e uma jaqueta jeans da Levi’s que, por meio de nanotecnologia, tem propriedades ‘touch screen’, nessa preferiu botar os pés no chão e apoiar designers locais.
Em parceria com a Amazon, Farah montou um estande na loja Cartel 011 na qual as pessoas poderão provar joias feitas em impressora 3D pela empresa WeMe, bolsas que, quando ligadas na tomada, cozinham alimentos, e uma outra que usa placas fotovoltaicas para carregar o smartphone com energia solar.
‘Percebi que não há inovação sem sustentabilidade, tanto econômica quanto ambiental. Sem esses dois conceitos, caímos no campo das ideias de ‘clube de inventores’, aqueles que produzem acessórios sem propósito’, explica Farah.
Propondo alternativas para o varejo, ela também mostrará soluções como a da marca Genyz, do estilista Caire Moreira, que desenvolveu um processo de customização no qual o cliente é escaneado por meio de um tablet e tem suas medidas exatas calculadas.
A IBM também lançará, no primeiro dia do evento, a primeira blockchain do Brasil. Trata-se de uma espécie de ferramenta na nuvem que, a partir de uma tag ou código colado à roupa, permite ao usuário acessar as etapas de produção daquela peça, desde quem colheu o algodão até quem costurou a peça.
‘É uma boa oportunidade para empresas serem mais transparentes em seus processos. A tecnologia não pode servir apenas para solucionar a vida de quem compra, mas também de quem faz’, afirma a diretora do evento.
Segundo ela, a grande sacada na nova geração de ‘designers tecnológicos’ é aplicar a inovação têxtil em favor dos recursos naturais do planeta, como, por exemplo, a criação de um tecido feito a partir da teia da aranha, que pode substituir a seda tradicional.
‘É um engano achar que o mundo vai se desindustrializar para se tornar ecológico. Mas devemos imaginar novos caminhos, porque desde antes dos tempos de Jesus Cristo usamos os mesmos linho, algodão e seda’.
Onde ver
Anrealage - A Light Un Light
Japan House – Av. Paulista, 52, São Paulo
De ter. a sáb., das 10h às 22h. Dom e feriados, das 10h às 18h
Até 6/1/2019
Grátis

WeAr Brasil 2018
Cartel 011 – Rua Artur Azevedo, 517, São Paulo
Dia 12/11, à partir das 9h,  e 13/11, às 17h
De R$ 260 a R$ 477

Fonte:  Pedro Diniz   |    FSP

(JA, Nov18)

domingo, 4 de novembro de 2018

Exposição discute a expressão criativa por meio da fotografia no Centro Cultural FIESP


‘Espaços Compartilhados da Imagem" traz 45 obras de artistas de sete países para São Paulo, entre os dias 7 de novembro e 13 de janeiro. A entrada é gratuita
 
‘Mundo Material’, de David Welch

Em ‘Espaços Compartilhados da Imagem’, exposição que abrirá ao público na próxima quarta-feira, dia 7, na Galeria de Fotos do Centro Cultural Fiesp, em São Paulo, a fotografia é apresentada a partir de sua intersecção com outras linguagens, discursos e mídias. As séries escolhidas pelos curadores Bruno Vilela e Guilherme Cunha propõem reflexões sobre questões atuais como consumo, relação com o trabalho, luto, os limites entre o real e o imaginário.
Mais popular de todos os tempos, do coletivo MacDonaldStrand

Ao todo, são apresentadas ao público 45 obras de oito artistas, de sete países. Entre elas, está a série ‘Mais populares de todos os tempos’, do coletivo britânico MacDonaldStrand. Os artistas reduziram fotografias famosas da história, como a imagem da menina correndo nua após um bombardeio durante a guerra do Vietnã, feita por Nick Ut, a pontos e linhas, muito parecidos com a brincadeira de ‘ligar os pontos’. A ideia é convidar o público a interagir com as obras, para mostrar como essas cenas estão registradas no inconsciente coletivo, mesmo quando descaracterizadas.

‘Diários em combustão’, de Randolpho Lamonier

O artista Randolpho Lamonier único brasileiro presente na mostra, apresenta a série ‘Diários em combustão’, em que mescla performance, desenho e instalação para despertar uma experiência de deriva em uma cidade imaginária envolta em fogo, letras e números. Nas cenas, são exploradas interfaces performáticas entre a pessoa, a indústria e a cidade.

A escolha das obras é fruto de um projeto de pesquisa desenvolvido pelo Festival Internacional de Fotografia de Belo Horizonte (FIF), que desde 2013 promove discussões sobre a produção fotográfica e a construção de sentidos por meio de imagens. ‘A nossa proposta é refletir sobre os processos criativos de construção de imagens e como a fotografia dialoga com outras narrativas e construções de discurso’, explica Guilherme Cunha.

‘Tudo o que eu queria ser’, de Kent Rogowski


A exposição também pretende mostrar ao público como a importância de compreender o papel das imagens nas construções políticas está diretamente ligada à possibilidade de criticá-las e recriá-las. ‘Nosso intuito ao trazer essas obras para São Paulo é mostrar como a produção de sentido sobre as imagens depende muito das relações de poder e da pluralidade. Ou seja, a forma pela qual interpretamos aquilo que vemos está atravessada por relações de poder e simbolismos, sobre os quais nem sempre refletimos ou questionamos’, comenta Bruno Vilela.

Mais informações sobre os trabalhos da mostra: http://www.calameo.com/read/004061465822786b1efb1

Artistas:
Randolpho Lamonier
Série: Diários em Combustão
País: Brasil

Jackie Nickerson
Série: Terreno
País: Irlanda

Kent Rogowski
Série: Amor = amor
Série: Tudo o que eu queria ser
País: EUA

Michel Le Belhomme
Série: A Besta Cega
País: França

Chen Shao-Liang
Série: Palco
País: Taiwan

MacDonaldStrand (coletivo formado por Clare Strand e Gordon MacDonald)
Série: Mais populares de todos os tempos
País: Reino Unido

David Welch
Série: Mundo Material
País: EUA

Marleen Sleeuwits
Série: Interiores
Pais: Holanda



Serviço
Exposição ‘Espaços Compartilhados da Imagem’
Local: Galeria de Fotos do Centro Cultural Fiesp - avenida Paulista, 1313 – em frente à estação Trianon-Masp do Metrô
Período expositivo: 7 de novembro de 2018 a 13 de janeiro de 2019
Horários: terça a sábado, das 10h às 22h, e domingo, das 10h às 20h






Fonte:  Centro Cultural Fiesp  |   Luiza Bodenmüller,  Espaços Compartilhados da Imagem

(JA, Nov18)

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Ziraldo é tema de três exposições



Exposição “Os Planetas do Ziraldo”, na Casa Melhoramentos

Se o clima não está para praia, se o trânsito impediu de pegar a estrada, se a possibilidade de uma cidade vazia pareceu a melhor proposta. Não importa. São Paulo tem uma série de passeios para pais e filhos fazerem juntos durante o feriado –incluindo duas exposições sobre a obra de Ziraldo, além de uma terceira que vai abrir as portas em breve.

Os Planetas do Ziraldo, Casa Melhoramentos


Entrada da Exposição 'Ziraldo de A a Z', Sesc Interlagos

As duas já inauguradas estão na nova Casa Melhoramentos e no Sesc Interlagos e abordam a carreira do cartunista, desenhista, jornalista e autor de livros para crianças. A terceira exposição ocorrerá no MIS (Museu da Imagem e do Som).

Sala temática Ziraldo, parte mostra 'Quadrinhos'

No dia 14 de novembro, a mostra ‘Quadrinhos’ será inaugurada com uma retrospectiva do universo da HQ no museu. Uma das salas será exclusiva para o trabalho de Ziraldo.


O pai do Menino Maluquinho foi internado no fim de setembro, após ter sofrido um AVC. Um mês depois, quando estava prestes a completar 86 anos, recebeu alta e agora se recupera em casa.
Abaixo, saiba mais sobre as programações.

Ziraldo Espacial 

Entre as mostras, uma das principais é ‘Planetas do Ziraldo’. A exposição fica em cartaz na nova Casa Melhoramentos, centro cultural inaugurado no mês passado pela editora que publica a obra do cartunista há quase 40 anos. Entre as curiosidades, está o bilhete do astronauta Neil Armstrong, primeiro homem a pisar na Lua. Nele, o americano afirma: ‘The moon is Flicts’ (a Lua é Flicts, em português, em referência ao clássico livro do autor).
A programação é assinada pela cineasta Daniela Thomas, filha de Ziraldo. Embora o passeio gire em torno da série ‘Os Meninos dos Planetas’, com histórias para cada planeta do Sistema Solar, há menções a outros livros e exibição de rascunhos guardados no acervo pessoal do artista.
‘Os Planetas do Ziraldo’
Onde Casa Melhoramentos (r. Tito, 479, Vila Romana; tel. 3874-0402)
Quando até 22/12; qua. a sáb., 9h às 21h (até 30/11); qui. a dom., 9h às 21h (1º a 22/12)
Quanto grátis

Ziraldo de A a Z, 500 obras sendo 200 acervo pessoal do cartunista

Daniela Thomas, filha do cartunista, também está à frente de outra exposição: ‘Ziraldo… De A a Zi’, que apresenta cerca de 500 obras no Sesc Interlagos. Entre elas, 200 criações originais do acervo do cartunista e outras peças de colecionadores.
Além dos livros infantis, a mostra explora as diferentes atividades de Ziraldo, como a vida de jornalista e o papel atuante no Pasquim. Um dos principais destaques são os desenhos feitos na prisão durante a Ditadura.
Ziraldo… De A a Zi’
Onde Sesc Interlagos (av. Manuel Alves Soares, 1.100; tel. 5662-9500)
Quando até 4/8/2019; qua. a dom., 10h às 17h
Quanto grátis


Mundo da HQ 
Sala temática Ziraldo, parte mostra 'Quadrinhos'

Uma retrospectiva do mundo dos quadrinhos vai ser inaugurada no MIS (Museu da Imagem e do Som) no próximo dia 14 de novembro. Com revistas, itens raros e originais, a exposição ‘Quadrinhos’ vai passar por super-heróis, histórias de faroeste, mangás e diferentes perfis do gênero.
Nela, uma das salas será exclusiva para os livros e personagens de Ziraldo. Simulando o seu estúdio, apresentará a obra do autor e falará sobre o processo de criação de suas tirinhas, com objetos originais e painéis explicativos.
Quadrinhos’
Onde MIS (av. Europa, 158, Jardim Europa; tel. 2117-4777)
Quando 14/11 a 31/3/2019;  ter. a sáb., 10h às 20h ( permanência até 22h); dom., 9h às 18h ( permanência até 20h)
Quanto R$ 15 a R$ 30


Fonte: Bruno Molinero   |   FSP


(JA, Nov18)

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Museu de Artes Plásticas de Montreal, no Canadá, oferece visitas como tratamento de saúde


Instituição canadense oferece a médicos 50 ingressos por ano, que poderão ser repassados a pacientes


Homem visita museu de artes plásticas no Canadá, 2009

Em julho de 2017, uma comissão do Parlamento britânico lançou um relatório no qual sistematizou o resultado de pesquisas e experiências práticas no país e defendeu o uso da arte como parte da estratégia no campo da saúde pública. Em um trecho, o relatório afirma que:


‘Os maiores desafios para os sistemas de saúde e seguridade social vêm de uma população envelhecendo, e a prevalência de doenças para as quais não há curas óbvias (...). Nós defendemos uma disposição informada e de mente aberta para aceitar que as artes podem representar uma contribuição significativa, para lidar com uma série de desafios que nossos sistemas sociais e de saúde enfrentam.’ (Relatório ‘Arte criativa: as artes para saúde e bem-estar’, do Grupo Suprapartidário para Artes, Saúde e Bem-estar)
Esse ponto de vista não é defendido apenas no Reino Unido. A partir do dia 1º de novembro de 2018, o Museu de Artes Plásticas de Montreal, no Canadá, pretende implementar uma medida que emprega a fruição de arte como parte do tratamento de saúde, em um plano-piloto com duração de um ano.
O museu distribuirá ingressos a membros interessados da Médecins Francophones du Canadá, uma associação médica que tem como objetivo difundir práticas de medicina humanizada no país. Cada um poderá retirar até 50 ingressos por ano, e distribuí-los para seus pacientes.
Em nota, a diretora do museu Nathalie Bondil afirmou que as visitas devem ser oferecidas a pacientes com problemas de saúde física ou mental, que podem se beneficiar de ‘um lugar acolhedor, relaxante, revitalizante, e uma oportunidade para fortalecer seus laços com as pessoas que amam’. Aos céticos, afirmou que:
‘Estou convencida que, no século 21, a cultura será aquilo que a atividade física foi para a saúde no século 20. Experiências culturais irão beneficiar a saúde e o bem estar, assim como esportes contribuem para a boa forma. Céticos devem se lembrar que, há apenas cem anos, acreditava-se que esportes distorciam o corpo e ameaçavam a fertilidade de mulheres’.

Fonte: André Cabette Fábio   |   =Nexo

(JA, Out18)

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Mostra de Lasar Segall evidencia obras raramente vistas pelo grande público

Transformações cromáticas da carreira do modernista lituano dão o tom a recém-inaugurada exposição no Sesc 24 de Maio

Bananal', óleo sobre tela de 1927

Pintor lituano formado dentro do expressionismo alemão, Lasar Segall desembarcou no Brasil em 1924 para se tornar um dos nomes mais importantes do primeiro modernismo.
Sem abandonar os princípios europeus que o formaram, desenvolveu uma trajetória em que temas e tipos brasileiros convivem com questões de ordem universal, como angústia, migrações e destruição, num percurso marcado pelo impacto das duas guerras mundiais.
É um pouco dessa conversa entre Brasil e Europa, local e universal, que o Sesc 24 de Maio apresenta, com uma reunião de 87 pinturas e seis desenhos, além de fotos e documentos. Quando o arquiteto Paulo Mendes da Rocha, autor do edifício do Sesc, comemora 90 anos, seu filho Pedro assina uma expografia que divide a mostra em quatro grandes blocos, pensados como quarteirões de uma cidade. A herança moderna está em festa.
Voltando a Segall: modernista da chamada fase heroica, ao lado de Anita e Tarsila,  ele foi um dos responsáveis por transformar a cena paulista, rompendo com o naturalismo e a tradição acadêmica.
Menino com Lagartixas, 1924,

Mãe Negra Entre Casas, 1930

Dez anos depois da última grande exposição do pintor (no Centro Cultural Fiesp, com curadoria de Tadeu Chiarelli), a curadora Maria Alice Milliet desenvolveu uma retrospectiva em que o uso da cor está no foco de atenção. São as transformações cromáticas ao longo da trajetória de Segall e seu caráter fortemente emocional que a levaram aos quatro núcleos que compõem a mostra.
‘Com a vinda ao Brasil, Lasar Segall sofre o impacto do sol, da luz tropical que aquece sua pintura’, explica Milliet. Para ela, os deslocamentos populacionais retratados pelo artista nos anos 1940 conversam diretamente com a atualidade do centro em sua diversidade e convivência de imigrantes coreanos, africanos, bolivianos e paraguaios.
Aldeia Russa, realizado entre 1917-1918
‘A atualidade, infelizmente, mora também nas cenas de populações sem rosto, vítimas de perseguição, intolerância e de regimes totalitários’, completa a curadora.
Dois Nús, 1930
Preocupada em criar uma narrativa acessível ao público de mais de 10 mil pessoas que circulam por dia pelo Sesc, Milliet encomendou um vídeo, projetado em grandes dimensões na parede, que detalha em alta resolução os esquemas cromáticos utilizados pelo pintor.
Se a pintura requer um tempo mais distendido de contemplação, o vídeo, para ela, é a mídia ‘de hoje’ que garante uma empatia mais imediata.
Desenvolvida em parceria com o Museu Lasar Segall, a mostra conta com boa parte do acervo da instituição, mas também com pinturas de coleções particulares raramente expostas ao público. Desde que Segall se tornou um dos nomes mais valorizados do mercado de arte, seus colecionadores costumam guardar o tesouro a sete chaves.
Ao longo da exposição estão ainda pinturas pinçadas a dedo de outros modernistas —Portinari, Anita, Tarsila—, que ajudam a mostrar os diálogos estabelecidos na época.

Desenhos originais do caderno Visões de Guerra, realizado entre 1940-1943

Entre as obras mais delicadas está a série de desenhos de cenários, com fantasias e elementos decorativos que desenvolveu para os bailes de Carnaval da Sociedade Pró-Arte Moderna, entidade que congregou boa parte dos modernistas a partir de 1932.
Vale prestar atenção ainda na delicadeza dos troncos de árvores que Segall pintou já no final da vida —florestas de cores suaves que o aproximam ainda que brevemente da abstração. Encarar a realidade (da pobreza, da guerra, da injustiça) ou escapar dela (pela festa, pelo sonho, pela natureza) é afinal um dos grandes dilemas da arte, para não dizer da vida. Segall fez os dois.

LASAR SEGALL: ENSAIO SOBRE A COR
Quando Até 5/3/19.
Onde Sesc 24 de Maio ( r. 24 de Maio, 109).
Preço Grátis


Fonte:  Gabriela Longman   |   FSP

(JA, Out18)