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quinta-feira, 5 de março de 2020

Exposição revela como Rino Levi fez São Paulo se transmutar em metrópole


Mostra no Itaú Cultural dedicada ao arquiteto, pioneiro do modernismo, tem 200 objetos e até realidade virtual




Cinemas monumentais, com mais de 3000 lugares. Apartamentos de quase 400 metros quadrados e janelas do chão ao teto. Fachadas com afrescos de Di Cavalcanti e painéis de Burle Marx.

A São Paulo idealizada pelo arquiteto Rino Levi na primeira metade do século 20 era bem diferente daquela erguida hoje, em que poucas janelas permitem ver o horizonte —e emolduram algo que não o muro do prédio vizinho.

Ainda assim, suas criações ajudaram a formar a cidade que conhecemos. É o que mostra a ‘Ocupação Rino Levi’, que acaba de entrar em cartaz no Itaú Cultural.
Com cerca de 200 itens, entre fotografias, plantas, croquis e anotações, a maioria do acervo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, a FAU, ela ilustra o papel do arquiteto na transformação de São Paulo em metrópole.

Ou melhor, os papéis. Levi não só pensou edifícios para atender serviços e formas de lazer nascentes na época, como criou prédios emblemáticos, que ainda hoje hipnotizam os pedestres nas calçadas —um deles, hoje sede do Itaú, fica a dez quadras da mostra.

A maioria dessas criações foi produzida sob encomenda para a iniciativa privada.


Arquiteto Rino Levi



Um dos organizadores da exposição, a professora Joana Mello, da FAU, explica que isso, aliado ao fato de que Levi não era de esquerda, como a maioria dos arquitetos modernos, levou seu nome a ser esquecido na ditadura militar. O resgate de sua obra só aconteceu na redemocratização, a partir da década de 1980.

A despeito das divergências políticas, Levi tem muitas semelhanças com seus contemporâneos, uma lista que engloba Gregori Warchavchik, Lina Bo Bardi e Vilanova Artigas.

Como eles, o arquiteto prefere linhas que se integram à paisagem. Seus trabalhos usam elementos que filtram a luz e facilitam a circulação de ar, como cobogós e brise-soleils. E, tal qual seus pares, ele acredita no que Mello chama de ‘síntese das artes’, a fusão da arquitetura com o paisagismo e as artes visuais.

A funcionalidade é outro princípio que ele partilha com os demais modernos. Os hospitais que criou, como o Antônio Camargo, do Instituto Central do Câncer, e a maternidade do hospital da USP, são estruturados para dificultar a disseminação de doenças. Suas cozinhas têm janelas sobre a pia e acima dos armários, para aproveitar a luz natural e ventilar o espaço.

Até os painéis que decoravam o interior do UFA Palácio, cinema na avenida São João depois rebatizado Art Palácio, tinham fins acústicos, conta Mello. A solução foi tão bem-sucedida que Levi emendou projetos de outros três cinemas, o Piratininga, o Ipiranga e o Universo. O último pode ser visitado numa experiência em realidade virtual.


Interior do cinema Ufa Palácio, na avenida São João, é retratado em fotografia exibida na Ocupação Rino Levi, no Itaú Cultural


Talvez mais do que seus pares, porém, Levi elevava a natureza a protagonista das suas obras. Nas residências de Castor Delgado Perez, hoje a galeria de arte Luciana Brito, e de Olivo Gomes, em São José dos Campos, no interior paulista, grandes vidraças trazem para dentro o verde dos arredores.

Afinal, a convivência com as plantas ‘dignifica e eleva espiritualmente o homem’, escreveu o arquiteto. Talvez por isso, uma de suas parcerias mais duradouras foi com o paisagista Burle Marx. Era comum que ele acompanhasse o amigo em expedições botânicas pelo país. Foi numa dessas viagens, à procura de bromélias, que ele morreu, aos 63 anos, em 1965.



Centro Cívico de Santo André


A exposição termina com o projeto de Levi para o Plano Piloto de Brasília. Em sua visão, em vez das construções baixas do vencedor Lucio Costa, estariam prédios exíguos de 300 metros de altura —a mesma medida da torre Eiffel. Cada um deles abrigaria corredores com lojas e serviços.

‘Levi estava preocupado em desenhar uma cidade, e o Lucio, uma capital’, diz Mello.


Ocupação Rino Levi
Itaú Cultural, Av. Paulista, 149, São Paulo-SP
Ter. a Sex., das 90h às 20h. Sab. E dom., das 11h às 20h
Até 12/04
Livre
Grátis




Fonte:  Clara Balbi  |  FSP



(JA, Mar20)



domingo, 15 de setembro de 2019

Conversas na Praça: o urbanismo de Jorge Wilheim


Vale do Anhangabaú, como conhecemos hoje, é um dos projetos de Jorge Wilheim

Com curadoria de Guilherme Wisnik, exposição recupera o legado de um dos grandes nomes da arquitetura e do urbanismo no país e convida o público à reflexão sobre cidades mais humanas, justas e sustentáveis.

O que o Vale do Anhangabaú, o Pátio do Colégio, o plano diretor de Curitiba, a cidade de Angélica, no Mato Grosso do Sul e o centro de eventos Anhembi têm em comum? Esses grandes projetos de arquitetura e urbanismo, alguns cartões postais de São Paulo, foram concebidos por - ou tiveram a colaboração de - Jorge Wilheim, 1928 – 2014.




Jorge Wilheim era arquiteto, urbanista e gestor público em São Paulo


Mas quem foi Jorge Wilheim?

Apesar de italiano, de Trieste, Jorge Wilheim mudou-se para o Brasil com 12 anos. Formou-se em arquitetura na década de 50 na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Já formado, enfrentou o desafio de projetar uma nova cidade para 15 mil pessoas no Mato Grosso do Sul - Angélica- com a finalidade de desenvolver a região. Neste projeto, começa então sua busca por um planejamento urbano que tivesse como premissa a ecologia.


Vale do Anhangabaú, projetado por Jorge Wilheim, em foto de Cristiano Mascaro na exposição ‘Conversas na Praça’


Em 1956, participou do concurso para o plano-piloto de Brasília, na mesma licitação que elegeu o projeto de Lucio Costa. Esteve à frente de projetos que até hoje são considerados cartões-postais paulistanos, como o Parque Anhembi (1967-73) e os projetos de reurbanização do Vale do Anhangabaú (1981-91) e do Pátio do Colégio, sítio da fundação de São Paulo (1975). Em reconhecimento ao seu trabalho, recebeu os prêmios ‘Tarsila do Amaral’ (1956), ‘Governador do Estado’ (1964), ‘IAB de Urbanismo’ (1965 e 67), ‘IAB para Ensaio’ (1965 e 67) e a Ordem do Mérito de Brasília (1985).

No campo político, foi Secretário de Economia e Planejamento do Estado de São Paulo (1975-79); duas vezes Secretário de Planejamento da capital paulista (1983-1985 e 2001-2004); Secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo (1987-1990); além de presidente da Emplasa, Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo (1991-1994). 

Suas principais marcas no Governo do Estado de São Paulo foram a criação do PROCON, da EMTU e do ‘Passe do Trabalhador’, hoje conhecido como Vale Transporte. Foi também responsável por mais de vinte planos urbanísticos, 
destacando-se os de Curitiba, Goiânia, Natal, Campinas e São José dos Campos. 

Ainda na esfera pública, organizou a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo (a primeira do Brasil) e, durante sua gestão, implantou a primeira utilização oficial de álcool combustível no país, programa que seria conhecido mais tarde como Proálcool. 

Como Secretário Geral Adjunto da divisão da ONU para a realização da Conferência Global sobre Assentamentos Humanos - Habitat 2, organizou, em 1996, um encontro com quase duzentos países em Istambul.

Wilheim escreveu 10 livros sobre vida urbana, publicados por diferentes editoras de São Paulo, Buenos Aires e Londres. Destacou-se também pela participação ativa no mundo das artes plásticas; trabalhando junto com Pietro Maria Bardi, participou da montagem do MASP e foi presidente da Fundação Bienal de São Paulo.

Faleceu na cidade de São Paulo em fevereiro de 2014, aos 85 anos. Wilheim se destacou como um dos mais importantes e visionários urbanistas brasileiros. Seu extenso conhecimento sobre a dinâmica urbana se transformou em soluções vibrantes e inovadoras em prol da qualidade de vida nas metrópoles em desenvolvimento.

Projeto de revitalização da Rua Augusta, que não foi concretizado (Ilustração de Jorge Wilheim)



Conversas na Praça

O Sesc São Paulo, na unidade Consolação, recebe a exposição Conversas na Praça: o urbanismo de Jorge Wiheim, que se aprofunda na carreira do arquiteto, urbanista e gestor público. A instalação é um último desejo de Jorge: um banco em alguma praça da cidade para ler, desenhar, divagar e conversar com os jovens sobre suas vidas e locais que habitam.

Daí uma expografia, assinada pelo também arquiteto Pedro Mendes da Rocha, que transforma o Espaço de Convivência em uma praça, onde as pessoas podem interagir com o conteúdo exposto e dialoga sobre a importância do acolhimento de espaços públicos.


O que você encontra na Praça

Desenhos técnicos, croquis, fotografias, vídeos e arquivos sonoros - pertencente à família Wilheim e reunido pelo curador Guilherme Wisnik - apresentam as principais obras e projetos do urbanista: o Parque Anhembi, a cidade de Angélica no Mato Grosso do Sul, a reconfiguração do Pátio do Colégio, o calçadão da Rua Augusta, os planos diretores das cidades de Curitiba e Joinville e a reurbanização do Vale do Anhangabaú - espaço que nos últimos meses encontra-se no centro do debate paulistano.

A exposição tem o objetivo de fomentar no público uma discussão sobre a cidade ensinando conceitos importantes com que Jorge Wilheim trabalhou. Sempre atento e interessado às mudanças da sociedade no tempo em que viveu, o arquiteto buscou fontes de energias alternativas e sustentáveis, soluções para as novas formas de trabalho autônomo e flexível e caminhos para a participação da sociedade na política, tornando o viver na cidade o mais humano, acolhedor e democrático possível. 

Transitando com maior facilidade, em contato constante com ambientes mais verdes e seguros, um espaço pensado por todos pode promover mais qualidade de vida e bem-estar de todos.

Além da exposição na Convivência, toda a unidade do Sesc Consolação recebe uma programação integrada, com atividades relacionadas a arquitetura, o morar e usar a cidade, mobilidade urbana e outros assuntos em aulas abertas, bate-papos e oficinas. Confira aqui a programação completa.


O Parque Anhembi, em São Paulo, foi um dos maiores projetos de Jorge Wilheim


Construção do Parque Anhembi

Um dos maiores e mais icônicos projetos de Wilheim é o todo o complexo do Parque Anhembi. No vídeo a seguir, produzido para divulgar o espaço à época de sua inauguração, em 1967, vemos todo o contexto de sua construção. Na exposição você encontra uma representação em tamanho real de um dos pilares que sustentam o teto dessa obra prima da arquitetura paulistana.







Conversas na Praça: o urbanismo de Jorge Wilheim
SESC  Consolação - Rua Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque - tel.: (11) 3234-3000
De 20/9 a 14/12
De seg. a sex., das 10h30 às 21h30; sáb., das 10h30 às 18h30

Grátis



Fonte: SESC-SP



(JA, Set19)



terça-feira, 21 de maio de 2019

Aleijadinho, Escultor e Arquiteto




Rosto criado para representar a face de Aleijadinho

Antônio Francisco Lisboa nasceu em Vila Rica, atual Ouro Preto-MG em 1738, onde faleceu em 1814. Foi escultor, entalhador, arquiteto, carpinteiro. Personagem importante da história da arte brasileira, Aleijadinho é objeto de diversos estudos e biografias.






A visitação de suas obras é roteiro de turistas do Brasil e do exterior. Em Congonhas, Aleijadinho esculpiu os profetas e as imagens da Via Sacra. Em Ouro Preto, a igreja de São Francisco de Assis. O altar também foi entalhado pelo mestre brasileiro, em uma época em que o trabalho artístico era exclusividade dos portugueses.


Igreja São Francisco de Assis, em Ouro Preto


Igreja São Francisco de Assis, em Ouro Preto é considerada uma obra prima do barroco brasileiro. Sua construção foi iniciada em 1776 e concluída em 1794. Além de elementos do barroco, é notória a influência do estilo rococó.

Aleijadinho traçou a planta, elaborou a talha e a escultura do frontispício. Fez dois púlpitos, nos quais esculpiu figuras de santos.




Produziu também a pia batismal, as imagens de três pessoas da Santíssima Trindade e os dois anjos que adornam o altar principal. A fachada é adornada por um medalhão onde se insere a imagem de São Francisco de Assis.

Aleijadinho contribuiu enormemente para o reconhecimento e desenvolvimento da arte brasileira, criando até uma modernidade muito particular em suas obras. Seu legado o fizeram reconhecido Patrono das Artes no Brasil.


Paixão de Cristo em Congonhas


Na segunda metade do século XVIII, graças ao ouro, surgiram as ricas construções em pedra e alvenaria.

Foi nessa época, quando Minas Gerais liderava o movimento artístico da colônia, que Aleijadinho desenvolveu sua atividade de arquiteto e escultor.

Foi difícil obter o reconhecimento de seu talento, pois na época, não se perdoava a condição de mestiço. Muitos de seus trabalhos foram feitos para confrarias e irmandades de brancos.

Por conta de sua condição, não lhe foi permitido assinar nem sua obra nem os livros de registro de pagamentos.





Quando sua fama, apesar de tudo, chegou a outras cidades e sua obra se encontrava em pleno esplendor, a doença o atacou. Lepra ou sífilis, não se sabe ao certo, deformou seus pés e mãos.

Até hoje ninguém sabe qual doença teria levado Aleijadinho à morte. Nos últimos anos, os restos mortais foram exumados seis vezes em busca de respostas.

Obras e características

A maior parte das obras de Aleijadinho tem como tema central a religiosidade. As imagens sacras que produziu se caracterizam pela cores, leveza, simplicidade e dinamismo.




Grande parte de sua obra encontra-se nas cidades mineiras de Ouro Preto (antiga Vila Rica), Tiradentes, São João Del Rei, Mariana, Sabará e Congonhas do Campo.




O conjunto conhecido como os ‘doze profetas’ foi produzido entre os anos de 1794 a 1804. Aleijadinho representou Amós, Abdias, Jonas, Baruque, Isaías, Daniel, Jeremias, Oseias, Ezequiel, Joel, Habacuque e Naum.

Assim, o adro do Santuário, em forma de terraço, é ornado por 12 estátuas dos profetas um pouco maiores que o tamanho natural. As formas imitam os trajes da época dos profetas, segundo as gravuras bíblicas.

As estátuas dos profetas foram feitas de pedra-sabão, abundante na região do ouro. Esse material foi largamente utilizado por Aleijadinho também em umbrais e medalhões de frontispícios.




Fonte: Patricia Romanello Guedes Wertheimer   |  Agenda Arte e Cultura



(JA, Mai19)



quarta-feira, 3 de abril de 2019

Exposição ‘Oscar Niemeyer (1907-2012) – Territórios da Criação’ - Instituto Tomie Ohtake







Ícone da paisagem de cidades como Brasília, Niterói e Curitiba, a arquitetura de Oscar Niemeyer (1907-2012) é apenas uma parte de sua produção artística. É isso o que mostra a exposição ‘Territórios da Criação’, que abriu na última terça-feira (2), no Instituto Tomie Ohtake.

Depois de passar pelo Rio de Janeiro, em 2017 e Brasília, a exposição ‘Oscar Niemeyer (1907-2012) – Territórios da Criação’, organizada por ocasião dos 110 anos de nascimento do arquiteto, chega ao Instituto Tomie Ohtake com a adição de algumas obras.

A curadoria de Marcus Lontra e Max Perlingeiro, além de reunir um conjunto inédito de desenhos, pinturas, esculturas e peças de mobiliário feitos pelo consagrado arquiteto, traz também obras de artistas que trabalharam com ele em seus emblemáticos projetos, como Alfredo Ceschiatti (1918-1989), Alfredo Volpi (1896-1988), Athos Bulcão (1918-2008), Bruno Giorgi (1905-1993), Candido Portinari (1903-1962), Franz Weissmann (1911-2005), Joaquim Tenreiro (1906-1992), Maria Martins (1894-1973), Roberto Burle Marx (1909-1994) e Tomie Ohtake (1913-2015).

Oscar Niemeyer nasceu no Rio de Janeiro em 15 de dezembro de 1907, e morreu na mesma cidade em 5 de dezembro de 2012. ‘Ao longo de sua vida, Niemeyer produziu intensamente e afirmou-se não apenas como arquiteto, como a primeira referência estética brasileira reconhecida em todo mundo, mas também como artista e intelectual respeitado, atuando em várias frentes do conhecimento humano’, afirma Marcus Lontra.


‘Ruínas de Brasília’, 1964


‘Ruínas de Brasília’, 1964, duas raras pinturas de Niemeyer – uma delas nunca exposta – se juntam a 25 desenhos inéditos, que retratam com seu inconfundível traço a Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha, em Belo Horizonte, a Oca e o Parque Ibirapuera, em São Paulo, o Palácio do Planalto, a Catedral de Brasília, o Palácio da Alvorada, o Caminho Niemeyer, em Niterói, e a Bolsa de trabalho, em Bobigny, França, entre outros


Oscar Niemeyer, por Marcio Scavone

A exposição também dedica um espaço a retratos de Oscar Niemeyer assinadas por grandes fotógrafos: Antonio Guerreiro, Bob Wolfenson, Edu Simões, Evandro Teixeira, Juan Esteves, Luiz Garrido, Marcio Scavone, Nana Moraes, Nani Góis, Orlando Brito, Ricardo Fasanello, Rogerio Reis, Vilma Slomp, Walter Carvalho e Walter Firmo.



Sem título, caneta hidrográfica sobre papel


Para mostra em São Paulo, foi incluída a maquete original do trabalho de Tomie Ohtake realizado para o Auditório do Ibirapuera, uma monumental pincelada vermelha do chão ao teto do grande hall.


Bruno Giorgi - ‘Os Candangos’, década de 1960, bronze patinado
Franz Weissmann - Sem título, aço pintado
Candido Portinari -‘Cabeça de São Francisco’, Prova de parte do painel de azulejos, Igreja de São Francisco de Assis, Pampulha, 1944


Há ainda desenhos, pinturas, esculturas e azulejos criados por grandes artistas para projetos arquitetônicos de Niemeyer, e que se tornaram igualmente símbolos desses espaços, como um estudo feito por Volpi em têmpera sobre cartão para a Capela Dom Bosco, em Brasília; um estudo em aquarela e duas provas de azulejos feitos por Portinari para a Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha; duas esculturas em pequeno formato como estudo para os ‘Candangos’ e outra para ‘Meteoro’, de Bruno Giorgi, que estão em Brasília em escala monumental.

A exposição reunirá ainda uma série de documentos e publicações, mostrando o Niemeyer designer gráfico. Niemeyer criou a revista ‘Módulo’, na década de 1950, dedicada à arte e à arquitetura, publicada até 1964, e retomada por ele em 1975, quando retornou ao Brasil. Além disso, será exibido continuamente o vídeo ‘Oscar Niemeyer: a vida é um sopro’, 2006.




                  



Exposição:  ‘Oscar Niemeyer (1907-2012) – Territórios da Criação’
Local: Instituto Tomie Ohtake, Av. Faria Lima 201 - Complexo Aché Cultural
Abertura: de 02 de abril, até 19 de maio de 2019
De terça a domingo, das 11h às 20h
Entrada franca



Fonte: ArchDaily Brasil, Revista Museu



(JA, Abr19)


sábado, 10 de março de 2018

Museu de Arte de São Paulo

Museu de Arte de São Paulo, foto de 1969

O Museu de Arte de São Paulo é um museu privado sem fins lucrativos, fundado em 1947 pelo empresário e mecenas Assis Chateaubriand (1892-1968), tornando-se o primeiro museu moderno no país.
Chateaubriand convidou o crítico e marchand italiano Pietro Maria Bardi (1900-1999) para dirigir o MASP, e Lina Bo Bardi (1914-1992) para desenvolver o projeto arquitetônico e expográfico.

Mais importante acervo de arte europeia do Hemisfério Sul, hoje a coleção do MASP reúne mais de 10 mil obras, incluindo pinturas, esculturas, objetos, fotografias, vídeos e vestuário de diversos períodos, abrangendo a produção europeia, africana, asiática e das Américas.

Primeiramente instalado na rua 7 de Abril, no centro da cidade, em 1968 o museu foi transferido para a atual sede na avenida Paulista, icônico projeto de Lina Bo Bardi, que se tornou um marco na história da arquitetura do século 20. Com base no uso do vidro e do concreto, Lina Bo Bardi concilia em sua arquitetura as superfícies ásperas e sem acabamentos com leveza, transparência e suspensão. A esplanada sob o edifício, conhecida como ‘vão livre’, foi pensada como uma praça para uso da população.


Belvedere Trianon
Belvedere Trianon, foto de 1930



O charmoso mirante, com salões e restaurante, existiu por 37 anos no local onde hoje é o MASP. O Belvedere Trianon era um mirante, com terraços panorâmicos que proporcionavam a vista para todo o vale, para a avenida e para os jardins do Parque Trianon. O local também era conhecido como Miradouro da Avenida ou apenas o Belvedere da Avenida (…). O escritório de arquitetura de Ramos de Azevedo, um dos mais conceituados na época, assinou a obra.

Além dos terraços, também faziam parte do belvedere salões para festas e convenções, com serviços de restaurante e confeitaria. A inauguração foi realizada com pompa em 12 de junho de 1916:

‘Na festa, o sr. dr. Washington Luís, prefeito da cidade, recebeu os convidados, à entrada do Miradouro, no luxuoso restaurante e nos salões’.  OESP

(JA,  Mar18)






quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Papel da Arte na Revolução Russa - Arquitetura


ARQUITETURA
Vladimir Tátlin
Torre de Tátlin, 1919 

Segundo o plano, a Torre de Tátlin seria um imponente acréscimo à paisagem de Petrogrado (o nome que a cidade de São Petersburgo teve entre 1914 e 1924; seria Leningrado entre 1924 até 1991). A estrutura deveria ter 400 metros de altura, 100 a mais que a Torre Eiffel, então a construção mais alta do mundo.

OS ESPAÇOS DA TORRE DE TÁTLIN DEVERIAM SER APROVEITADOS AO MÁXIMO PARA A REALIZAÇÃO DE ATIVIDADES. AS ESTRUTURAS INTERNAS SERIAM USADAS PARA PRÁTICAS COMO PALESTRAS, REUNIÕES E TRANSMISSÕES DE RÁDIO..

No projeto, uma armação de aço espiral e inclinada envolveria e sustentaria quatro estruturas menores de vidro. Visíveis por entre a armação exterior, essas estruturas menores deveriam girar em velocidades diferentes. A maior seria um cubo 4, dentro do qual aconteceriam palestras, conferências e reuniões legislativas. A rotação completa do cubo demoraria um ano. Acima dele, haveria uma pirâmide 3, em que teriam lugar atividades governamentais; esta levaria um mês para dar uma volta completa. Mais acima, o projeto previa um cilindro 2, local para um centro de mídia, com emissora de rádio, agência de notícias, boletins e alto-falantes públicos. Essa parte levaria um dia para o giro completo. A mais alta estrutura seria um hemisfério 1, onde seriam armazenados equipamentos de rádio. A torre ainda contaria com uma tela de cinema na parte externa e emitiria projeções de luz para transmissão de propaganda em dias de céu nublado.



Ainda que preenchesse uma certa demanda por monumentos soviéticos, a torre não era apenas um exercício de grandiosidade. Como projeto construtivista, a função e utilidade social da obra eram parte essencial do projeto.
‘Era para ser um monumento vivo, que também construísse, e não um monumento morto em homenagem a alguém’, explicou ao Nexo a historiadora e fotógrafa Clara Figueiredo. ‘A torre proporia uma determinada forma de vida, é um monumento habitável, com reuniões, uma rádio, com um papel na construção deste sujeito ativo’.
 O projeto foi criado por Vladimir Tátlin, nascido no século 19 em parte do Império Russo que hoje fica na Ucrânia. Tátlin era um pintor e escultor com forte influência do cubismo de Pablo Picasso, a quem conheceu em Paris alguns anos antes da revolução. Depois de mergulhar na pintura abstrata, passou a se concentrar na exploração de materiais como metal, vidro e madeira, produzindo esculturas conhecidas como ‘contra relevo’, formas tridimensionais coladas à parede.
 Com a vitória da revolução, em 1917, Tátlin apresentou-se às novas autoridades para colaborar. Queria ajudar os bolcheviques em suas aspirações de erguer um novo mundo e moldar um novo ser humano. Para isso, estava disposto a contribuir com uma “nova arte”.
“Nas praças e nas ruas estamos colocando nosso trabalho convencidos de que a arte não deve permanecer um santuário para os desocupados, um consolo para os cansados, uma justificativa para os preguiçosos. A arte deveria nos servir em todo lugar em que a vida flui e age” – Vladimir Tátlin
A Torre de Tátlin, porém, nunca saiu do papel. O começo da revolução era um tempo de escassez e não era economicamente viável custear ou conseguir os materiais para uma empreitada arquitetônica daquele porte. Além disso, havia um risco político, de a população não compreender o investimento em um projeto tão grandioso quando havia prioridades sociais mais urgentes. Entre os opositores da torre, estava Leon Trotsky, um dos principais líderes da revolução e fundador do Exército Vermelho, que teria considerado o projeto “impraticável e romântico”.
Mesmo assim, o projeto permanece como exemplo de ousadia conceitual e estética, referências nas artes e na arquitetura, tendo sido realizado como réplica várias vezes em espaços expositivos como a Royal Academy, de Londres, e o Centro Georges Pompidou, em Paris (cuja estrutura esqueletal é inspirada no projeto de Tátlin). É um ponto incontornável na história do construtivismo.

MODELO DA TORRE DE TÁTLIN ERGUIDO PARA AS CELEBRAÇÕES DO DIA DO TRABALHO EM SÃO PETERSBURGO, EM 1925. O NOME OFICIAL DA TORRE ERA “MONUMENTO À TERCEIRA INTERNACIONAL”.



Texto: Camilo Rocha, Guilherme Falcão, Thiago Quadros e Ariel Tonglet  |  =Nexo Jornal

(JA, Nov17)