terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Colette, Sidonie-Gabrielle

 A mão que segura a caneta é a que escreve a história

 


A escritora francesa Gabrielle Colette, 1873-1954, nasceu no dia 28 de janeiro em Saint-Sauveur-en-Puisaye, França.

Ela tinha apenas vinte anos de idade quando se apaixonou por Henry Gauthier-Villars, um homem de trinta e quatro anos, e amigo de seu pai.

Muda-se para Paris em 1893 quando se casa com Henry. A jovem deixa sua rural e bucólica cidade natal para entrar em um universo completamente diferente, e que fará de Colette uma outra pessoa.

Com uma trajetória vanguardista em meio à sociedade conservadora de Paris no século passado, ela passou anos na sombra do marido, até o momento em que subverteu as regras do machismo da época, e se tornou uma das principais figuras na luta pelo reconhecimento feminino.

Primeiros Trabalhos

Seu marido, o crítico e escritor Henry Gauthier-Villars se apropriou da série de romances ‘Claudine’, um sucesso editorial, que ela escreveu se baseando nas memórias de sua infância.

Willy, como era chamado, escravizou sua esposa, chegando a trancá-la, escrevendo por até 16 horas em um só dia. Em 1909 eles se divorciaram e a escritora empreendeu uma batalha legal para recuperar a autoria de seus textos.

Polêmica

Sua separação causou espanto na sociedade aristocrática francesa. Com isso ela se reinventou como dançarina, e artista nos principais teatros da cidade. Ela foi amante da marquesa Mathilde de Morny, se casou mais duas vezes, e teve dezenas de casos, inclusive com seu enteado de 16 anos.

 



Mundo da moda

A escritora foi muito importante no mundo da moda feminina. Além de trabalhar como colunista de moda em um jornal, o grande sucesso dos seus quatro romances ‘Claudine’ teve uma grande influência na indústria. O nome da protagonista foi associado a vários acessórios como chapéus, colares e perfumes. Colette também foi uma das primeiras mulheres que se atreveu a usar calças em público, mantendo uma estreita amizade com a estilista Coco Chanel.


Biografia no cinema

 


Recentemente foi lançada uma cinebiografia a respeito da vida da escritora francesa. O filme, livremente inspirado na vida escritora francesa, foi muito bem avaliado pela crítica, e traz um retrato bastante fiel da luta de Colette pelo reconhecimento de seus trabalhos como escritora.

‘Colette’, o filme, estreou no Brasil no final de 2018 e busca retratar os primeiros anos de sua protagonista em Paris, suas descobertas a respeito de si mesma e também o relacionamento abusivo em que vivia com o marido.

 Com Keira Knightley no papel principal e Dominc West como Henry ‘Willy’ Gauthier, acompanhamos a transformação de Colette, de uma jovem inocente do interior para uma mulher determinada a ser dona de si mesma, ainda que tenha que sofrer um bocado até isso acontecer.

Quando se casa com um homem quatorze anos mais velho do que ela, Colette tem em mente apenas o amor que sentem um pelo outro.

Quando ela começa a ser apresentada nas festas mais ricas e restritas de Paris, repletas de intelectuais e escritores, é que Colette percebe que o mundo que conhece, e aquele em que está entrando, são completamente diferentes; as pessoas pensam ser genuínas e se dão muita importância, a começar por seu próprio marido, enquanto ela enxerga apenas uma porção de esnobes tentando aparentar ser o que não são.

Em determinado momento, quando Colette é apresentada como esposa do renomado autor, uma das mulheres comenta que, finalmente, o libertino Willy havia sido fisgado, apenas para, no instante seguinte, depreciar a moça por conta do modelo de vestido que está usando.

 


A vida de casada de Colette não demora a entrar em uma rotina: ela permanece em casa como parte do grupo de escritores fantasma de Willy, enquanto o marido sai para se encontrar com editores, escritores e também suas amantes.

A fama de Willy como autor nasceu com base nos escritores fantasma que ele contrata para escrever por ele, enquanto sua parte no acordo é a de fornecer o esquema geral da narrativa, e posterior edição do trabalho feito por outros, colocando apenas seu nome na capa do livro finalizado.

No início de seu casamento, Colette escreve pequenas produções, mas quando as economias do casal vão de mal a pior, ela decide, por incentivo de Willy, escrever um romance. É assim que nasce o primeiro trabalho de Colette, ‘Claudine à L’école’, um livro inspirado na própria vivência e memórias de sua autora.

Em um primeiro momento, Willy não dá a devida atenção ao livro, o que deixa Colette visivelmente chateada, mas quando a obra é finalmente publicada, ela se transforma em sucesso de público e crítica, vendendo milhares de cópias, um verdadeiro best-seller. ‘Claudine à L’école’ também se transforma na obsessão de muitos, principalmente de mulheres em transição da vida adolescente para a adulta, que se veem, pela primeira vez, retratadas em um livro.

A obra, que pode ser caracterizada como um coming of age, conta a história de uma jovem de quinze anos, e suas aventuras em um município rural e bucólico, similar ao que a própria autora nasceu, tanto que o livro é considerado semi biográfico, e fala, não apenas das brigas da protagonista com a nova diretora de seu colégio, como também das descobertas sexuais de Claudine com outra mulher.

Willy chega a fazer algumas alterações no manuscrito original durante sua edição, mas sempre com a anuência da esposa — o que não quer dizer muita coisa, visto que, no final das contas, a obra ainda é publicada como autoria única de Willy.

O sucesso de ‘Claudine à L’école’ logo faz surgir a ânsia por mais material contando as histórias e aventuras da jovem, mas Colette não está muito disposta a escrever.

Com o dinheiro recebido das vendas, Willy compra uma casa nos arredores de Paris para que Colette possa se sentir mais próxima do campo, lugar de que sente falta, e ela parece mais inclinada à cuidar da nova propriedade do que a escrever.

Não demora e Willy, em um rompante, decide prender a esposa em um dos cômodos da casa com a promessa de soltá-la apenas quando um novo Claudine tenha sido escrito.

Essa não é, inclusive, a única demonstração de abuso por parte de Willy, uma vez que ele não deixa que a esposa tenha ciência das economias do casal, e a mantém escrevendo sob pressão um livro que sequer poderá assinar.

 


É dessa maneira que Colette escreve o segundo livro de sua vindoura trilogia. e o batiza de ‘Claudine à Paris’. O livro causa novo rebuliço não apenas entre as rodas de intelectuais de Paris, como a qualquer um que leia a obra.

A partir de então Claudine se transforma em uma marca, sendo estampada em produtos variados como sabonetes, maquiagem e vestidos. Não demora também para que Claudine seja editado para uma peça de teatro, o que coloca um novo peso sobre os ombros de Colette: a obsessão de Willy em transformar qualquer tema possível em um Claudine faz até mesmo com que a esposa tenha que cortar o cabelo para que fique ainda mais parecida com a atriz que interpretará sua personagem nos palcos de Paris.

Com o reconhecimento de ‘Claudine à L’école em Paris’, logo Willy e Colette ficam ainda mais famosos, recebendo olhares e comentários onde quer que vão. É quando o casal está passeando por um dos parques de Paris que se aproxima Georgie Raoul-Duval (Eleanor Tomlinson), a bela e jovem esposa de um rico empresário da Louisiana, nos Estados Unidos.

Georgie, tendo sido criada em Paris, está acostumada com o ritmo da cidade e não sente falta do marido que está sempre viajando à negócios, e é valendo-se da ausência dele que a moça decide convidar Colette para visitá-la em seu apartamento.

É Willy quem incentiva a esposa a comparecer ao encontro, interpretando as segundas intenções de Georgie de maneira correta — e não é que Willy esteja sendo altruísta ou qualquer coisa do tipo: para ele é perfeitamente aceitável que a esposa tenha um caso com uma bela mulher, desde que ele também o tenha, mas sem que Colette saiba.

Willy visita o apartamento de Georgie em dias alternados aos de Colette, e a esposa não sabe o que se passa entre os três. No início do casamento, Colette, inclusive, briga com Willy quando descobre que ele tem amantes, ameaçando deixá-lo caso ele não seja completamente honesto com ela. Mas o apelo de Colette de nada vale para Willy que decide também tomar Georgie como amante.

Todo o relacionamento entre os três degringola quando Colette descobre o que está acontecendo, mas ela e Willy acabam chegando a um entendimento de como lidar com o affair, o que é concluído quando Colette escreve seu terceiro livro, ‘Claudine en Ménage’, inspirada pelos encontros entre ela, Willy e Georgie — o que a norte-americana não acha nenhum pouco agradável de saber.

Ao ameaçar Colette para que ela desista da publicação, Georgie apenas dá mais munição para que ‘Claudine en Ménage’ se transforme em mais um sucesso de público e crítica, mas é apenas Willy quem colhe, mais uma vez, os louros e a glória desse trabalho.

 


Colette está cada vez mais incomodada com o fato de que é apenas Willy quem leva o crédito por seu trabalho, e propõe que os próximos livros sejam assinados pelos dois. Mas o marido refuta a ideia, partindo do princípio de que mulheres não são capazes de vender livros da mesma forma que os homens. Na Paris do início dos anos 1900, muita coisa está mudando, mas o machismo permanece firme e forte.

Procurando ser independente e dona de suas próprias obras, Colette envolve-se cada vez mais com Mathilde de Morny, a Marquesa de Belbeuf, ou simplesmente Missy (Denise Gough).

Nascida em uma família nobre, o pai de Missy era meio-irmão de Napoleão III, a marquesa teve uma infância de abusos e negligência, que culminou em um casamento sem amor quando ela completou dezoito anos. Missy acreditava que seu marido, Jacques Godart, o terceiro Marquês de Belbeuf, era gay e, assim como ela, estava preso em aparências que detestava manter.

O casal se divorciou quatro anos após o casamento, e Missy passou a viver sua verdade, relacionando-se com mulheres e vestindo-se como o homem, o que afrontava a alta sociedade parisiense da época. O filme não entra em muitos detalhes a respeito, mas alguns estudiosos se referem a Missy como transgênero, enquanto outros dizem não ser possível afirmar tal coisa a respeito da Marquesa de Belbeuf.

Colette, no entanto, é de uma enorme delicadeza ao mostrar o relacionamento entre Colette e Missy, que se conheceram em 1905 e se encantaram praticamente de imediato.

Missy incomodava a sociedade parisiense, e fofocas a respeito de seu gênero e sua orientação sexual eram comuns. Missy era transgressivo e encontrou em Colette seu par, e logo a dupla começou a se apresentar no teatro Causou comoção em Paris quando, durante a encenação, elas se beijam no palco.

Enquanto isso, Willy decide vender os direitos da trilogia Claudine para não ir à falência, o que ele faz sem comunicar a esposa. Colette descobre o que o marido fez da pior maneira possível e, na sequência, decide finalmente se separar.

Willy implora para que Colette não o deixe, mas ela não pensa duas vezes: é o momento de ser dona não apenas da própria vida, como também dos próprios livros. Em um novo rompante de raiva, Willy decide queimar os originais de Colette para que a esposa não possa ter como provar a autoria dos livros, mas o assistente do autor, Paul Héon (Johnny K. Palmer) os resgata e entrega à sua dona de direito.

A Colette de Keira Knightley é vivaz e audaz quando tem que ser, demonstrando a fibra de sua personagem, e seu incomparável brilhantismo.

Oposto a ela está Dominc West, muito bem em um personagem que não consegue despertar a menor simpatia de seu público, ainda que o diretor e roteirista Wash Westmoreland não pese a mão no momento de mostrar suas piores atitudes.

O diretor, inclusive, consegue segurar sua câmera e não comete tanto ‘male gaze’ (olhar masculino) quanto dita o senso comum para dramas de época dirigidos por homens, principalmente nas cenas em que Colette está com suas amantes, o que é um ponto positivo, ainda que ele não tenha feito mais do que sua obrigação.

Em nenhum momento a bissexualidade de Colette é colocada como algo exótico ou puramente para chocar, e isso é muito mais do que se pode dizer de diversos filmes com mulheres bi.

O longa é um belo tributo a uma autora que lutou para ser reconhecida por seu trabalho e que, após o divórcio, publicou mais de trinta obras, entre romances e contos.

Colette é capaz de contar, com toques de romance, a história real de uma mulher singular, suas dores e seus amores, seus sonhos e ambições — somando a isso uma fotografia incrivelmente inspirada, cenários e arquiteturas belíssimas e um figurino impecável.

Ao final do filme, Colette assume que é dela a mão que segura a caneta, e que ninguém mais escreverá a sua história por ela. 

 


 

Fonte:  Aliança Francesa  |   Valkirias

 

(JA, Fev21)

 


terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Fiódor Dostoiévski

 





O escritor russo Fiódor Mikhailovich Dostoiévski nasceu em Moscou, em 11 de novembro de 1821. Foi o segundo de sete filhos. Seu pai Michail Andreevic (Michajl Andrevic), de origem lituana, era médico e tinha um caráter extravagante e despótico; o clima em que as crianças cresceram era autoritário. Em 1828, o pai e seus filhos foram inscritos no ‘livro de ouro’ da nobreza moscovita.

Sua mãe Marija Fedorovna Necaeva, vinda de uma família de mercadores, morreu em 1837 de tuberculose. Fedor foi matriculado na escola de gênio militar em Petersburgo, apesar de não ter predisposição para a carreira militar.

Em 1839, o pai, que se entregava à bebida e maltratava seus próprios fazendeiros, provavelmente foi morto por estes.

Com seu caráter alegre e simples, a mãe educou o filho a amar música, leitura e oração.

O maior interesse de Fiódor era a literatura e, tendo concluído os estudos de engenharia militar, abandona este setor, desistindo da carreira que o título lhe proporcionaria. O pouco dinheiro que ele dispunha era produto de seu trabalho de tradução para o francês.

Lutando contra a pobreza e problemas de saúde, começou a escrever o seu primeiro livro, ‘Povera gente’, que viu a luz em 1846, e teve importantes elogios da crítica. No mesmo período ele conheceu Mikhail Petrasevkij, um firme defensor do socialismo utópico de Fourier, conhecimento que influenciou a elaboração de sua primeira obra.

Em 1847 apareceram os ataques epilépticos que o escritor sofreria por toda a vida.

Dostoiévski começou a frequentar círculos revolucionários. E, em 1849, é preso e encarcerado na Fortaleza de Pedro e Paulo, sob a acusação de conspiração. Acredita-se que fazia parte de uma sociedade secreta subversiva liderada por Petrasevsky.

Dostoiévski foi sentenciado, junto com outros vinte acusados, ​​à pena de morte, por meio de fuzilamento. Ele já estava em posição para a execução, quando chega uma ordem do imperador Nicolau I alterando a sentença para quatro anos de trabalhos forçados. Dostoiévski partiu então para a Sibéria.

A dura experiência o marca física, e moralmente. No final ele foi enviado a Semipalatinsk, como um simples soldado. Após a morte do czar Nicolau I, isso se tornou oficial. Lá ele conheceu Marija,  que então era esposa de um companheiro, e ele se apaixona por ela. Eles se casam em 1857, após ela ter ficado viúva. Por motivos de saúde, em 1859, Dostoiévski recebeu alta e mudou-se para Petersburgo.

Assim, ele retornou à vida literária. Durante o verão começou a escrever seu segundo romance, ‘O duplo’, a história de uma cisão psíquica. A obra não teve a mesma aprovação do primeiro romance; em novembro seguinte, escreveu, em uma única noite o ‘Romance em nove cartas’.

Fiódor Dostoevskij morreu em 9 de fevereiro de 1881, após um agravamento do enfisema pulmonar que sofria. Seu enterro, no convento Aleksandr Nevskij, foi acompanhado por uma imensa multidão.

Entre suas obras mais conhecidas estão ‘Crime e Castigo’, ‘O Idiota’, ‘O Jogador’, ‘Os Irmãos Karamàzov’.

 



Fonte: WP e Dvs

 

(JA, Fev21)

 


 

sábado, 9 de janeiro de 2021

Juarez Machado

 

Juarez Machado e sua obra 'O Circo', no pórtico de entrada do Centreventos Cau Hansen, Joinville-SC


Lançada em 2001, a comédia romântica francesa ‘O Fabuloso Destino de Amélie Poulain’ encantou o público com a história de uma jovem que tenta ajudar as pessoas à sua volta. Além de ter sido indicado a cinco Oscars, entre eles o de melhor filme em língua estrangeira, direção de arte e fotografia, o longa lançou ao estrelato a atriz Audrey Tautou.

Poucos sabem, no entanto, que as cores fortes e vibrantes do longa foram inspiradas no trabalho do pintor brasileiro Juarez Machado, 79 anos, que há 35 vive em Paris.

Em entrevista Machado contou como conheceu o diretor do filme, Jean-Pierre Jeunet. Segundo ele, no início dos anos 2000, o cineasta fez uma visita à sua galeria na capital francesa, pois morava próximo ao local, no bairro de Montmartre, onde se passa ‘Amélie Poulain’. ‘A primeira coisa que ele fez foi comprar um quadro meu, de uma mulher agarrando um homem na escada. Ele adorou a minha paleta, que não tem tantas cores primárias, uso sempre tons mais fechados. Então o Jeunet me pediu livros, imagens, tirou fotos e levou para a equipe dele’, conta o pintor, que é de Joinville-SC, e fazia um quadro de mímicas no ‘Fantástico’, da Globo, nos anos 1970.

‘Na época do filme, eu estava fazendo 60 anos, com uma exposição chamada O Libertino, que reunia 60 pinturas e 40 desenhos com temas eróticos’, explica Machado.

Algumas obras do pintor estão, inclusive, presentes no cenário do filme. ‘Do lado da cama da Amélie, no quarto, há dois quadros meus, de uma mostra que fiz batizada de A Festa Continua’, revela o artista, que gosta de trabalhar com temáticas bem definidas. 


Cena do filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain' (2001). Os dois quadros vistos nas laterais do quarto de Amélie, acima das cabeceiras, são pinturas de autoria de Juarez Machado


O artista e o diretor de ‘Amélie Poulain’ acabaram virando grandes amigos, de ‘trocar figurinhas’ e almoçar juntos com frequência. ‘Depois [em 2004], ele ainda fez outro filme baseado nas minhas cores, chamado Eterno Amor, com a mesma atriz’, lembra Machado.

‘Até hoje nos vemos, lhe dei algumas gravuras, o escritório dele fica na rua atrás da minha. Temos uma amizade muito honesta. Vi todos os filmes dele, e ninguém se aproveitou de ninguém’, aponta. ‘Nossa identidade em comum vem dessa coisa meio surrealista, que mistura humor e surpresa’, destaca o pintor.

Segundo depoimento do diretor, nos extras do DVD do filme, a narrativa gira em torno de uma história positiva, razão pela qual ele queria uma ‘explosão de cores’. Em alguns takes, como em cenas externas do café e dentro do metrô, as imagens foram saturadas para o verde na pós-produção – trabalho minucioso que rendeu ao longa indicações ao Oscar, ao Bafta e ao César, de melhor fotografia. 


 

Além de contrastes, longa usa cores para destacar cenas, como o azul do abajur 


‘Ele [Machado] usa bastante vermelho e verde, mas sempre há, em algum local da pintura, uma outra cor. Geralmente azul, ou amarelo bem brilhante, ou branco. Assim, a obra fica com um visual equilibrado. Nós usamos muito isso’, diz o diretor de fotografia do filme, Bruno Delbonnel, também nos extras do DVD. ‘

Quando [em uma das cenas] ela [Amélie Poulain] está cortando as cartas bem rápido, há um abajur azul [foto acima], e o resto é todo amarelo, verde e vermelho. Não ficaria bom sem o azul. Mas não [aplicamos esse recurso] em toda tomada, senão ficaria previsível’, completa Delbonnel.

No mundo do cinema, Machado ainda conquistou o ator norte-americano Jack Nicholson, e a eterna diva francesa Catherine Deneuve. ‘Ele [Nicholson] me ama de paixão. Comprou dois quadros meus, encomendou mais dois e pediu para entregarmos pessoalmente em Los Angeles. Já a Catherine tem umas quatro obras minhas’, conta o brasileiro.


Bicicletas   

Além das cores, os trabalhos do pintor catarinense são marcados pela presença de figuras humanas, sempre lânguidas e meio andróginas, que parecem estar entre o fim do século 19 e o início do 20. A maioria de seus personagens é retratada em momentos de lazer, na praia, em festas ou andando de bicicleta. 


‘Operários do Itaum’, a primeira obra premiada de Juarez Machado 


A referência às duas rodas vem da infância do artista, pois Joinville foi por muito tempo conhecida como a ‘Cidade das Bicicletas’. Sua primeira tela premiada, inclusive, foi ‘Operários do Itaum’, que mostra dezenas de funcionários de fábricas indo para o trabalho de bicicleta, sob a chuva.

‘Venho de uma cidade industrial que já deteve a marca de duas bicicletas por habitante. Era normal ver até 5 mil pessoas pedalando juntas na entrada e saída das indústrias. Eu já desenhava essas cenas aos 6, 7 anos. Mas, como não queria trabalhar na fábrica, fui estudar artes em Curitiba, aos 18 anos’, lembra o pintor, cujo pai era caixeiro-viajante e a mãe pintava leques de seda

‘Ser artista naquela época era estranho, bobagem, não tive apoio de ninguém, exceto do meu pai, que era um homem com a cabeça mais aberta, tinha noção do mundo além do horizonte’, recorda Machado, que a partir do curso na capital paranaense começou a aparecer na Rede Tupi, fez amizade com personalidades como Ary Fontoura, mudou-se para o Rio de Janeiro, Londres, Nova York e, finalmente, Paris. ‘Essa era a cidade que ditava a moda, era elegante, o francês era a língua da diplomacia. Cresci vendo essa cultura, muito mais a europeia que a americana, que só ganhou força no pós-guerra’, afirma.

O vínculo do pintor com o Brasil, porém, ainda permanece: ‘Fico três ou quatro meses em Paris, depois faço pingue-pongue entre Rio, Joinville, Floripa e Curitiba, durante esse mesmo período. Não tenho mais casas, tenho ateliês’, diz Machado.

Além de manter um estúdio na capital francesa e outro no Rio, o pintor tem telas, desenhos e esculturas em duas galerias de Paris, outra em Béziers, no sul da França, e mais uma em Bruxelas.

‘Viajo com 200 quilos de material e uma cueca no corpo’, brinca. ‘Trago tintas que não existem aqui, bons papéis, quadros, desenhos, livros, pincéis’, enumera o artista, cujos quadros chegam a custar até US$ 50 mil (R$ 150,3 mil), dependendo do tamanho, e não costumam ir a leilão, por receio de que os preços sejam colocados num patamar muito baixo e o autor ‘queime o filme’.


Instituto


Instituto Internacional Juarez Machado, Joinville-SC

Além de dar nome a prédios de Joinville, Florianópolis e Curitiba, e também a um teatro de sua cidade natal, em novembro de 2014, após dois anos de restauro, a casa onde o artista passou a infância e a adolescência virou o Instituto Internacional Juarez Machado, inaugurada com a exposição ‘A Bicicleta na Vida e Obra de Juarez Machado’.  

Fachada do Instituto Internacional 

‘Queriam derrubar, fazer prédio, me dar um apartamento. O que eu ia fazer com isso? Chamei um especialista para deixar o imóvel do jeito que era, com a mesma madeira, azulejo, porta, lâmpada. Também construí um pavilhão de exposições, mas fiz de tudo para não estragar o jardim que era da minha mãe. Protegemos as plantas, e lá estão os antúrios, camélias, jabuticabeira, goiabeira, bananeira’, cita. ‘As pessoas estão adorando, vão lá para namorar, bater papo, ver as obras’.

 

Quadros de Juarez Machado em exposição no Instituto Internacional 

Segundo o pintor, o instituto o ajudou a resolver sua maior angústia, que era encontrar um lugar para estocar seus 3000 quadros e 7000 desenhos. ‘Também tenho esculturas, objetos e quilômetros de cartas trocadas com o Drummond, Millôr [Fernandes], Vinicius [de Moraes], Tom [Jobim], Antônio Houaiss. Tenho desenhos desde os 3 anos de idade. É um patrimônio que acumulei desde os tempos de colégio, quando apanhava dos professores por desenhar na classe, mas já tinha feito a lição em casa, e só queria ganhar tempo para poder produzir mais’, diz Machado.

No instituto, o pintor também expõe obras de outros artistas catarinenses. Entre seus planos para o futuro, estão uma mostra com seus colegas paranaenses, dos tempos do curso em Curitiba, e outra para destacar o trabalho de grafiteiros locais.

‘Esses artistas deixaram de ser pichadores e viraram pintores de parede, no bom sentido. Pintar com bomba e spray é extremamente difícil, é complicado fazer com qualidade. E eles pegaram o jeito’, afirma. ‘Essa é uma arte ainda meio discriminada, que começou na periferia, com o [norte-americano Jean-Michel] Basquiat

Para Machado, um artista só se aposenta quando morre. ‘Achei que eu ia ter uma velhice tranquila para poder brincar com meus netinhos, deitar numa rede, conversar com os amigos, mas cadê tempo? É uma trabalheira danada, é um vício, estou numa competição comigo mesmo. Acordo às 5h e trabalho até as 22h todos os dias, não tem Natal, feriado’, relata o pintor, que tem três filhos e, desde 2005, está casado pela terceira vez.

 

 


Fonte: Luna D'Alama  UOL

 

 

(JA, Jan21)

 


 

domingo, 20 de dezembro de 2020

Na indústria criativa, artesãos estão entre os mais prejudicados pela pandemia

Com baixa inclusão digital e longe de centros de consumo, comunidades ficam sem renda

 

Mestra ceramista Maria José Gomes da Silva, Turmalina-MG 


A pandemia arrebentou o negócio de Maria Aparecida das Graças Oliveira. Tecelã de Turmalina-MG, no Vale do Jequitinhonha, ela viu as vendas secarem após o cancelamento das feiras nacionais de artesanato, principal meio de escoar sua produção.

Na associação local de artesãs que ajudou a fundar há 28 anos, viu muitas colegas na mesma situação. ‘A gente não parou de trabalhar, só parou de vender’, diz. ‘Está todo mundo desmotivado. A gente viajava o mundo levando produtos; hoje, a gente está parada e não sabe até quando’.

A loja mantida pelas associadas ficou fechada durante quatro meses, por não ter como pagar as despesas fixas. Hoje, está aberta por meio período, mas os itens de cama mesa e banho que elas produzem quase não são vendidos. Com a perspectiva de suspensão do auxílio emergencial do governo -para muitas tecelãs, a única renda fixa nos últimos nove meses-,  2021 promete ser ainda mais duro.

‘A tendência é que as vendas piorem, com a segunda onda. A situação das famílias vai complicar. A gente não tem planejamento para resolver isso, não’.

Para muitos outros artesãos, a insegurança financeira foi regra em 2020. Levantamento do Itaú Cultural feito a partir de dados da Pnad Contínua, do IBGE, mostra o artesanato como o segundo setor da economia criativa mais afetado pela pandemia, tanto em números absolutos como proporcionalmente.

No primeiro e segundo semestres, atividades artesanais perderam 49,6% de seus postos de trabalho (atrás do mercado editorial, que perdeu 76,8%), o que corresponde a 132,8 mil empregos (atrás da moda, com 259 mil).

 

Giuliana e Gilvana Silva, artesãs da comunidade Vila Brasil, de Santarém-PA 


Sônia Carvalho, presidente da ONG Artesol, aponta uma conjunção de fatores para explicar esse impacto.

Para além da suspensão das feiras, o varejo, que antes comprava até 20% da produção dos artesãos, cortou gastos e deixou de buscar esses produtos. Houve artesãos que ficaram sem matéria-prima, já que muitas fábricas pararam e, quando voltaram, privilegiaram o fornecimento a clientes maiores. Por fim, todo o país perdeu poder de compra.

‘Nesse momento, ninguém está procurando comprar uma cesta ou toalha de mesa. Ninguém está preocupado em comprar nada supérfluo’.

Pesaram ainda a localização dessas comunidades tradicionais de artesãos (a maior parte está nas áreas rurais das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, enquanto o mercado consumidor se concentra no Sudeste e nas grandes capitais) e sua baixa inclusão digital.

Carvalho estima que, por esses dois motivos, os artesãos mais prejudicados tenham sido os indígenas. Na região Norte, que tem a maior população indígena do país, o artesanato corresponde a 38,6% da receita bruta da indústria criativa, a proporção mais alta no Brasil.

‘O ano foi péssimo em termos de mercado, mas pelo menos os artesãos puderam sobreviver com o auxílio que o governo deu’, diz. Uma pesquisa conduzida pela Artesol mostrou que entre 40 e 50% dos artesãos tradicionais receberam o benefício.

Nas contas de Carmem Pereira, outra tecelã de Turmalina-MG, a proporção de artesãs que pediram o auxílio na sua comunidade foi de 80%. ‘O governo não pode deixar o barco à deriva. Até que as coisas voltem à normalidade, há uma necessidade de os governantes continuarem pegando pela mão. Sozinho a gente não dá conta’, diz.

Além do auxílio, Carmen conseguiu captar recursos pela Lei Aldir Blanc, e se beneficiou de políticas públicas locais, como o projeto Arte Salva, do governo mineiro, que distribuiu cestas básicas para artesãos.

Nos últimos meses, projetos sociais da Universidade Federal de Minas Gerais e do CAV (Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica) também têm ajudado as comunidades.

A Lei Aldir Blanc foi acionada por muitas artesãs, mas contemplou uma minoria. Isso porque ela exige a Carteira do Artesão, documento emitido pelo governo que, num setor marcado pela informalidade, pouca gente tem.

Na ausência de apoio garantido do Estado, restam as saídas individuais. Carmen, que já revendia cosméticos para complementar a renda, fez desse seu ganho principal. Como são produtos de primeira ordem, desodorantes e sabonetes, não pararam de vender.

Já as artesãs que trabalham com barro na região tiveram a sorte, em março, de fechar parceria com a empresa Camicado para produzir uma linha de moringas, vasos e outros objetos domésticos. ‘Foi uma salvação, porque a maioria dos maridos das artesãs ficaram parados’, diz a artesã Terezinha Santos.

Com a crise, ela também passou a vender mais pela internet, mas reclama que, além das taxas cobradas pelos sites de vendas, o envio dos produtos por correio é caro e inseguro. ‘Para transportar as peças, a gente acaba pagando mais. Às vezes a gente manda, quebra, aí precisa repor. Complicou um pouco’.

O coordenador-geral de Artesanato e Empreendedorismo do Ministério da Economia, Fábio Silva, admite que ‘foi um ano diferente para todos". Responsável pelo PAP (Programa do Artesanato Brasileiro), que realiza as quatro maiores feiras do país, ele defende a continuidade dos eventos presenciais.

‘Uma peça de artesanato tem uma história, uma cultura, o artesão tem um porquê daquela produção’, afirma. ‘A história passada para o comprador, na feira, gera valorização muito maior do que para quem compra pela internet’.

 

Em 2020, apenas uma dessas feiras foi realizada, na primeira semana de dezembro. Feita em Belo Horizonte, teve tamanho reduzido (apenas dez estados) e, segundo Silva, foi ‘tranquila, segura e com nível considerável de venda’. (Segundo Cida Oliveira, ninguém da sua comunidade teve coragem de ir)

A pretensão, segundo Silva, é ampliar a parceria do órgão com o Sebrae para investir na capacitação digital dos artesãos, fazer um catálogo de produtos no site do governo e criar uma loja do programa no Mercado Livre. Ele ainda planeja lançar um aplicativo com orientações sobre exportação para os artesãos.

Para o artesão José Luís Ferreira, de Santos-SP, a priorização das vendas online na pauta do governo pode ser boa notícia —ele pensou em fazer uma loja digital para vender suas caixas de madeira, mas desistiu por ter ‘limitações com informática’. Ele, afirma, no entanto, que o artesanato já vinha passando por depreciação mesmo antes do vírus. ‘Ninguém dá muito valor, entendeu? E o material ficou muito caro, então não tem retorno’.


 

 

 


Fonte: Laura Castanho   |  FSP


 

(JA, Dez20)


sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Bailarinas de Degas no Masp fogem da delicadeza e mostram sua face mais crua

Conjunto de 73 bronzes do impressionista francês ganha novas leituras ao ser retratado pela artista Sofia Borges


 


Uma fotografia cobre, de fora a fora, a parede que abre a exposição do impressionista francês Edgar Degas em cartaz no Masp agora. Nela, uma menina aparece de olhos fechados, o rosto coberto de dourado. Sua expressão flutua entre a vulnerabilidade absoluta, e a concentração de alguém que tenta, com todos os músculos do corpo, manter a mesma posição.

Quem vê a imagem talvez não perceba que ela pertence à escultura mais célebre de Degas, ‘Bailarina de 14 Anos’, associada, como tantas outras obras do artista, à delicadeza, à feminilidade.

Mas o retrato cru, algo grotesco, que a artista Sofia Borges fez da escultura talvez seja mais fiel à realidade das bailarinas do século 19 do que aquela do nosso imaginário, diz Fernando Oliva, à frente da exposição ao lado de Adriano Pedrosa, o diretor artístico do museu.

Afinal, afirma Oliva, na época de Degas as bailarinas eram meninas pobres, muitas delas filhas de mães solteiras. Ficavam íntimas da dor desde cedo, entrando nas companhias aos seis anos de idade.

Pior, viviam num limiar perigosamente próximo da prostituição, uma vez que dependiam do patrocínio de frequentadores da Opéra para se manter. Historiadores suspeitam, inclusive, que este tenha sido o destino da modelo de ‘Bailarina de 14 Anos’, Marie van Goethem. 



Escultura 'Bailarina de 14 Anos', do impressionista francês Edgar Degas 


Esse contexto fez com que a primeira exibição pública da escultura, num salão oficial em 1881, fosse desastrosa. Oliva diz que a opção de Degas por retratar uma menina pobre, da periferia parisiense, foi recebida com choque pelo público, aristocrata como ele.

O escândalo foi tal que Degas nunca mais expôs outra peça do tipo. Todas as outras 72 esculturas que compõem a mostra agora foram fundidas em bronze depois da sua morte, a partir de moldes de cera encontrados no seu ateliê.

As peças integram o acervo do Masp, todas compradas nos anos 1950. Só três outras instituições no mundo têm séries completas como esta —o D'Orsay, em Paris; o Metropolitan, em Nova York, e a Glyptoteket, em Copenhague.

Oliva afirma que a mostra, com outros dois trabalhos de tinta pastel e uma pintura do acervo, reuniria outras 14 telas a óleo do artista, emprestadas por museus internacionais. Mas a pandemia impediu o trânsito delas.

Mesmo assim, o conjunto de esculturas, exposto pela última vez no museu há quase 15 anos, impressiona. Em bronze e medindo em média 50 centímetros, elas foram agrupadas em estantes de acordo com temas —há bailarinas rodopiando, cavalos trotando, mulheres lavando, passando, colhendo frutas e performando rituais de toalete que tinham acabado de surgir.

Oliva afirma que Degas era atraído por essas ações porque elas não só permitiam estudar o movimento, como também observar as mudanças sociais em curso na época, ‘mesmo que não fosse um ativista’.

É esse olhar social sobre o impressionista francês, aliás, que o museu pretende lançar com a exposição de agora –em parte no catálogo, com lançamento em breve, que analisa aspectos controversos da produção do artista, em geral negligenciados, e em parte por meio das fotografias de Borges, exibidas nos cavaletes de vidro projetados por Lina Bo Bardi, e intercaladas entre as estantes de esculturas.


 

'Dança Escultórica 6', foto  Sofia Borges da série 'Ensaio para Degas', 2020 


Nelas, as bailarinas de Degas aparecem iluminadas por luzes duras —na realidade, as próprias lâmpadas do museu—, suas peles marcadas por sulcos. Algumas alongam braços, pernas, costas, seus pedestais de bronze cortados da composição de modo a ‘registrar sua potência dançante’, segundo Borges. Já a ‘Bailarina de 14 Anos’ aparece cercada de sombras e vultos, efeito dos reflexos no seu invólucro de vidro.

O interesse museológico de Borges, fotógrafa premiada, e uma das curadoras-artistas da última Bienal de São Paulo, vem de longe. Por sete anos, ela explorou com suas lentes detalhes de pinturas, objetos arqueológicos, animais empalhados, buscando entender uma relação entre matéria, representação e imagem que, ela argumenta, é ainda mais complexa nessas instituições.

‘Ali, um vaso representa o seu próprio tempo, o artista que o fez, a distância entre ele e o tempo de hoje, um povo inteiro. Ele parece ter uma espessura de significado, diferente da de um vaso da minha casa.’

Nos últimos tempos, porém, ela passou a nutrir um interesse pelo gesto —e, portanto, a dança.

Oliva, o curador, conta que percebia que Borges usava a câmera para olhar para os bronzes de Degas. A fotógrafa assente.


‘Não olho a coisa, mas a imagem da coisa.’




Fonte: Clara Balbi   |  FSP


 

(JA, Dez20)


quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

31ª Feira Nacional de Artesanato 2020

 


O Brasil não conhece o Brasil! Esta é uma grande verdade. Não por falta de interesse do brasileiro, mas pela grandiosidade de nosso país.

E a Feira Nacional de Artesanato (Expominas - Avenida Amazonas, 6200 - Bairro Gameleira, Belo Horizonte – MG), vem justamente fazer uma tentativa de mudar isso durante seis dias - levar um pouco de conhecimento aos mais de 140.000 visitantes do que existe de melhor e mais interessante em nosso país. Serão sabores, produtos e informações sobre a potencialidade de nosso território.

Nos seus 31 anos de existência, a Feira Nacional sempre fez questão de ser sempre uma grande escola e um local onde os visitantes possam conhecer a diversidade cultural e gastronômica e nosso país.

Haverá, também, stands de parceiros com programação especial, como a Ilha do Conhecimento, organizada pelo Ministério da Economia, por meio do Programa de Artesanato Brasileiro (PAB). Ela vai oferecer cursos e palestras de capacitação para artesãos e visitantes.

Em outro espaço, uma área de 1104 metros, com artesanato de todo o Brasil, assinado pelo Sebrae Nacional e pelo Centro De Referência Do Artesanato Brasileiro (CRAB). Já o Brasil de Norte a Sul é um espaço do Ministério do Turismo, mostrando as belezas naturais e pontos turísticos nacionais. A Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (SECULT) também vai apresentar 18 circuitos turísticos de Minas Gerais. E o Espaço Índios, terá a presença de mais de 10 etnias de todo o país.

Protocolo sanitário 

Em razão da pandemia, a edição deste ano vai obedecer a um rigoroso protocolo sanitário, com medidas para prevenção da COVID-19, definido em parceria com a prefeitura de Belo Horizonte. O objetivo é garantir a segurança de todos os visitantes e artesãos presentes

Totens com álcool em gel 70% serão disponibilizados por todo o pavilhão do Expominas. Haverá uma higienização prévia de todo o material de montagem e mercadorias do evento, aferição de temperatura dos visitantes e dos expositores, uso de QR Codes para evitar troca de cartões de visitas.

A degustação nos stands de gastronomia será proibida, a não ser daqueles alimentos embalados individualmente. A capacidade de visitantes será reduzida, com controle do total máximo de público simultâneo no local, além da exigência do uso correto das máscaras. Para garantir o distanciamento social, a feira terá ainda uma nova configuração, com maior espaçamento entre os stands e mais ruas de circulação dentro dos pavilhões.

Novidade

Feira Nacional de Artesanato Virtual - Feira 365 Dias

A grande novidade este ano será que o evento não encerra dia 6 de dezembro, ele será gravado 360 graus, todos os stands, de forma que o internauta poderá fazer uma visita virtual no evento real, passear pelos stands, fazer contato com o artesão de acordo com as informações que este disponibilizar, comprar dele direto.

Isto de dezembro de 2020 até novembro de 2021!

Esta forma de apresentação será diferente do que tem sido feito, como um evento hibrido, com cenários virtuais, onde se coloca os produtos. Na Feira Virtual não, será uma gravação real, onde no estilo visita a museus e Google Street Views, o visitante terá a sensação de estar realmente visitando o evento.

Esta plataforma, além de disponibilizar o artesão e seus produtos por 12 meses, servirá também para prospecção no mercado internacional.

 



(JA, Dez20)